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10/05/2018

10/05 – Galeria de Arte | Exposição: A Utopia é mais Obsoleta em Sentido Inverso de Leandro Pereira da Costa

O que: A utopia é mais obsoleta em sentido inverso, exposição individual do artista Leandro Pereira da Costa.
Como: 16 obras (fotografia e instalação) produzidas entre 2013 e 2018.
Quando: 10 de maio, quinta-feira, 20h (vernissage)
Até 9 de junho de 2018, de terça a domingo, das 14h às 19h
Onde: Usina Cultural Energisa (Rua João Bernardo de Albuquerque, 243 – Tambiá – João Pessoa-PB)
Curadoria: Dyógenes Chaves (98808.7877)
Organização: Gerência de Comunicação e Marketing/ Energisa

Realização: Ministério da Cultura (Lei Rouanet)
Patrocínio: Energisa Paraíba

Obs. Artista selecionado no Edital de Ocupação da Usina Cultural Energisa 2017-2018.

Contatos:
Telefone: (83) 3034.1760
Celular: (81) 99714.5285
E-mail: leandro.br@zoho.com
www.uceocupacaoartesvisuais.com.br

Sobre a exposição

“A utopia é mais obsoleta em sentido inverso”
Texto de Leandro Pereira da Costa (2018)

Ainda que a fotografia seja um meio essencial de minha produção, não devemos avaliá-la – nesta exposição – a partir dos repertórios habitualmente consagrados, tanto pela história específica do meio técnico quanto pelos fotógrafos no seu sentido tradicional.

Em A utopia é mais obsoleta em sentido inverso, projeto selecionado no edital de ocupação da Usina Cultural Energisa 2017(João Pessoa – PB), apresento trabalhos que propõem a espacialização fotográfica, através de intervenções que vão descaracterizar o conceito de índice fotográfico. Nessa proposta, resultante de desdobramentos do meu processo de trabalho e reflexão dos últimos anos, coloco-me a explorar a relação da fotografia com suas possibilidades quanto a um instrumento capaz de preservar a extensão do tempo focado na experimentação e no processo de criação.

Propõe-se, assim, uma reflexão estética e conceitual em torno da concepção de espaço e tempo e sua relação com a arte atual. Nesse sentido, o espaço não é imparcial e neutro, nem tampouco o tempo; ambos produzem rupturas e diferenciação, que reivindicam a diferença.

De caráter transitório e múltiplo, as dinâmicas de espaço e de tempo se revelam aqui como uma forma de exercício político, e são diferenciadas por uma série de escolhas feitas no presente. Por isso, opto pelo uso da palavra utopia no título da mostra, categoria política que trabalhou o espaço homogeneizante e colonizador durante o projeto modernista, solicitando alterações e passagens com base em projeções e idealizações, revelando ausências, seja de minorias ou de singularidades. Em sentido inverso realiza-se uma crítica direta e implacável à sociedade que se diz fundada na união e compreensão.

Vivemos tempos difíceis no Brasil e no mundo: a diáspora, a concentração de renda, o abandono de políticas públicas, a violência dos grandes centros, o cerceamento de direitos civis, o controle das mídias, o desmonte das instituições e os equívocos de retorno a um projeto político contra os avanços sociais.

Assim, o trabalho diz respeito ao ambiente construído, ao espaço arquitetônico como um local das inter-relações, à consideração desses domínios através da fotografia, dos enquadramentos suscitados pelo grid, da escultura e da materialidade. Ao usar essas fotografias como construções de pensamentos, estou interessado na reconceituação do espaço e nas dinâmicas sociais que sobressaem dele, incluindo a forma como o espaço intercede nas nossas relações subjetivas e como enquadramos nossos pontos de vistas plurais.

Texto de Ivair Reinaldim (2010)

Em seus trabalhos, Leandro Pereira da Costa espacializa a imagem através de recortes feitos na superfície da fotografia e da projeção de sombra devido ao seu afastamento da parede. Ao capturar imagens de espaços urbanos, com foco sobre a arquitetura, executa cortes nas áreas das janelas dos edifícios, possibilitando a passagem real da luz através do papel, ao mesmo tempo em que cria um espaço ambíguo entre a perspectiva visual da imagem registrada e a planaridade da malha criada por sua intervenção gráfica.

Sobre o artista

O pernambucano Leandro Pereira da Costa, 38 anos, mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pernambuco (PPGAV UFPB/UFPE), começou a aprofundar sua formação crítica e estética em artes visuais em 2005 nos cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ), onde iniciou estudos com o pintor João Magalhães, a fotógrafa Denise Cathilina e o critico de arte Reynaldo Roels Jr, dentre outros artistas e professores com quem conviveu até 2009.

Morou durante um ano nos EUA em 2006. De volta ao Brasil, estudou Arte Contemporânea e o Processo Criativo com o educador escocês Charles Watson. Especializou-se em Filosofia Contemporânea pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ, 2011. Na fotografia, estudou com o diretor de fotografia e coordenador da Academia Internacional de Cinema (AIC), Cleumo Sengod, pelo primeiro programa de formação Rio Filme/SENAI. Em 2015 participou do programa Arte Sesc Confluências pelo Estado da Paraíba.

Já realizou importantes exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, destacando-se: Rio, Salt Fine Art Gallery, Laguna, CA, EUA, 2014; Programa de Exposições 2012, Museu de Arte de Ribeirão Preto, MARP-SP; Museu de Arte Contemporânea de Goiás, MAC-GO, 2010. Em 2017 teve seu projeto contemplado entre os 378 projetos pré-selecionados para a primeira edição da Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul, BIENAL SUR, dentre 2543 projetos inscritos de 78 países.

Sua pesquisa autoral é focada na arquitetura e nas reminiscências do projeto modernista. Seus trabalhos revisam esse período da história da arte, relacionando aspectos do espaço e do tempo, em uma dialética constante entre escrita e linguagem, estética e política, mídias e meios.

Atualmente reside em João Pessoa, cidade que adotou de coração, onde vive, trabalha e produz. Trabalha como artista visual, pesquisador e fotógrafo; direciona sua carreira para a docência. É também operador de câmeras para cinema, montador/editor AVID Media Composer e bacharel em desenho industrial.