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27/07/2017

27/07 – Usina da Música com Adeildo Vieira

Adeildo Vieira saiu da terra Natal, Itabaiana, no ano de 1977, com 15 anos incompletos. O artista relembra “Durante o período que vivi por lá, meu contato cultural com a cidade foi através do rádio. Por intermédio do rádio conheci grandes mestres da música nacional, como Luiz Gonzaga, Luiz Vieira, Orlando Silva e o Trio Nordestino”.

O contato mais íntimo com a música começou quando seu irmão mais velho ganhou um violão e deslanchou a tocar violão divinamente. Adeildo diz “Ele é um grande músico até hoje”.

Seu pai Edísio Vieira dos Santos foi um maquinista da Rede Ferroviária Federal e faleceu no exercício do trabalho: o trem virou, em 1975. Ele tinha 42 anos, na época. Adeildo conta que seu irmão, Antônio de Pádua, conhecido como Pádua Santos, “é um músico nato, daqueles que têm um ouvido fabuloso. Sempre foi o grande músico lá de casa. A minha necessidade de mexer com a música só veio aflorar quando completei 18 anos, já morando em João Pessoa”.

O artista mudou-se com a família para a capital paraibana, devido o êxodo rural, em busca de novas oportunidades, e uma vida melhor. Em1977, ele foi aprovado em um processo seletivo para cursar mecânica na Escola Técnica Federal da Paraíba. No ano de 1980, descobriu a música espontaneamente, Adeildo recorda “Eu cursava engenharia mecânica na Universidade Federal da Paraíba. Larguei tudo. O violão e a música mexeram demais com a minha cabeça e mudaram meus rumos completamente. Depois, fiz jornalismo. Descambei por um bocado de caminhos”.

Adeildo diz “Eu estudei naquelas revistinhas Vigu – de Violão. Uma pena que, até hoje, ainda não aprendi harmonia. Na mesma época das primeiras canções, surgiu também a necessidade de escrever”. Ele confessa “Costumo dizer que me mudei para João Pessoa no afã de morar de frente para o mar, e acabei morando de frente para Pedro Osmar”. Adeildo morou no Bairro de Jaguaribe, em frente à casa dos irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró, dois ativistas culturais que na época montaram o Projeto Musiclube da Paraíba, na qual ele fez parte.

Sua primeira apresentação com show montado foi em 1983, no começo do ano, em Jaguaribe. Sozinho tocando canções de sua autoria. Um ano depois, já no Musiclube, fez ser primeiro show com banda, em 6 de junho de 1984.

Segundo Adeildo “O Musiclube” foi muito importante para a sua formação estética e política. Este movimento ensinou que o artista deve ter consciência de que, quando está no palco existe o público de um lado e os bastidores de outro. De um lado está a representação do mercado, que é a vinda do público para ver o trabalho do artista. E, por trás, aquilo que sustenta você como estrutura.

No final de 1983 participou do seu primeiro festival. Fez uma canção e mostrou para uns amigos que tocavam com seu irmão. Eles se entusiasmaram, apostaram que ganhariam o festival. A música, que foi para a final, chamava-se “Respostas”. Era um festival da Escola Técnica Federal da Paraíba, chamado MPBTEC.

No ano seguinte, diz Adeildo já contaminado pelo Jaguaribe Carne, entrei com outra música. Essa foi uma das minhas incursões experimentais. A música era “Mama Society Blues”. A letra era sobre a história de um filho que dizia que a mãe queria amarrar ele no chaveiro dela. Uma coisa meio irônica na relação entre mãe e filho. A mãe queria que o filho fosse tudo no mundo, contanto que ele fosse o que ela queria. Ganhou o prêmio de melhor letra.

Adeildo Participou de um grupo chamado Mama Jazz. Também foi uma criação de Pedro Osmar, junto com o artista africano Guilherme Semmedo. E participou do seu CD “Diário de Bordo”, é de Guiné Bissau. Do grupo participaram, entre outros, Gláucia Lima, Guilherme Semmedo, Euclides Aguiar e Jorge Negão.

Em 1996, ele montou junto com Milton Dornellas, Marcos Fonseca, Wander Farias, Archidy Filho, o espetáculo Violação. O nome é porque só tinha cordas. Era violão, violão, violão. Violação também porque violava certos conceitos. Setenta por cento do grupo compunham.  Adeildo diz “Fazíamos vocais e violões”. Nesta época segundo o artista chegaram a fazer cinco ou seis shows, inclusive em Cajazeiras, no extremo oeste da Paraíba.

Em 1997 ganhou o festival da Universidade da Paraíba, com a música “Manus Manus”, um chorinho que também está gravado no seu disco. Em seguida ganhou o primeiro lugar em um festival do CEFET da Paraíba, com uma bossa nova. Também participou de um festival em Presidente Prudente, interior de São Paulo, com o fado “Memória das Águas”, seu e do poeta Lúcio Lins. A música foi selecionada. Foi junto com o companheiro Wander Farias, que defendeu outra música. Tocaram, mas não foram classificados para a final.

Participou de 13 edições do Festival MPB SESC, o que resultou na gravação de duas músicas. No primeiro com a música “Cara de Santo”, a que ficou em terceiro lugar. No ano seguinte, foi pra final com a música “Quem inventou o samba”. Também tem música minha no CD coletivo chamado “Coletânea Musiclube”.

O artista declara “Eu sou inquieto e carrego a inquietude do criador. Sou aquele cara que quer criar, que quer inventar o tempo todo. Eu descobri um jeito de driblar minha incompetência instrumental inventando um jeito de mexer com o violão”.

Adeildo argumenta “Meu disco saiu assim. Eu tinha 16 mil reais para fazer um CD. Não é grande coisa, mas consegui gravar um disco com um nível razoável de produção. Então, demorou por isso, porque esperei meu momento. O disco é um disco feliz porque ele é um registro de tudo o que eu fiz. Tem a participação de companheiros de muitos anos, por isso que é “Diário de Bordo”. É o registro de minha viagem na música”.

O CD ganhou o Troféu Imprensa do ano 2000, na categoria melhor disco da Paraíba. No mesmo ano, Adeildo ganhou na categoria de melhor compositor. Ele diz “O Diário de Bordo trouxe essa visibilidade que eu não tinha. Fez com que eu encarasse a música mais profissionalmente e investisse mais nas minhas coisas”.

Em 2015, Adeildo com mais de 30 anos de carreira prepara-se para uma nova etapa. Trata-se do CD África de Mim, em que ele aprofunda a relação da sua música com a cultura africana. O artista segue em frente, supera barreiras e adversidades. Ele persiste produzindo sua arte com talento, bom gosto e qualidade.

O show acontece no Café da Usina.

Fontes:

http://www.letras.com.br/#!biografia/adeildo-vieira

http://www.adeildovieira.com.br/