Agenda

06/06/2018

De 06/06 a 23/06 – Exposição Individual Genilda Lellys

Um novo olhar

Por Eudes Rocha (ABCA)

Natural de João Pessoa e filha de pais sertanejos, Genilda Lellys Nóbrega não nega as origens, pois determinação, perseverança e audácia não lhe faltam.

Sua inclinação artística certamente já estava no seu DNA. Desde muito cedo seu interesse pela pintura e pela escultura se manifesta e ela então dá início à experimentação, à busca de novas formas notadamente na escultura que, segundo ela: “é complementar da pintura pois enquanto esta ocupa as paredes, aquela ocupa o espaço.”

Sempre inquieta, Lellys Nóbrega não se cansa de experimentar o metal e suas várias possibilidades de apresentação ao elegê-lo para o seu trabalho ora em forma cilíndrica ora em forma de chapa. Mas, na presente mostra, é o metal cilíndrico que ela vai explorar valendo-se da forma primeva do clipe, esse pequeno objeto tão “assíduo” nos escritórios e que doravante nos convida a um novo olhar. O seu uso, nas múltiplas formas de exibi-lo, seja pela variedade de tamanhos, de apresentação da peça ou mesmo da posição em que ela é colocada pela artista, por vezes enseja um efeito óptico que nos permite fazer leituras as mais variadas, corroborando a argumentação do célebre crítico e esteta britânico Harold Osborne segundo a qual: “o que torna um objeto arte é a pluralidade de interpretações que ele pode suscitar.”

O que também me chamou a atenção é que originalmente o clipe, enquanto peça de escritório tem como incumbência precípua prender folhas de papel, mantendo-se minimamente aberto para garantir o sucesso da sua função. Entretanto, a artista foi mais além e, conscientemente ou não, decidiu desconstruir a utilização original e tradicional desse objeto desdobrando-o, abrindo-o, das maneiras mais radicais sem no entanto roubar-lhe a graça e a imagem lúdica invariavelmente sugerida desde o seu surgimento nos escritórios.

Sempre antenada com as propostas da contemporaneidade, a artista costuma visitar Salões de Arte, Bienais e museus do Brasil e dos grandes centros de arte do primeiro

mundo, bebendo na fonte as informações estéticas e de história da arte que tais espaços podem lhe proporcionar.

Embora não tenha ainda um vasto currículo de exposições realizadas, essa artista, que sempre primou por exibir somente o melhor da sua produção, já no início da sua trajetória foi premiada no 1º Salão Multicultural da Paraíba, que aconteceu no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande, Paraíba, em outubro de 2017.

Na presente mostra, Lellys Nóbrega também exibe algumas telas de sua lavra e que, segundo sua própria definição seriam: “múltiplos de uma mesma figura geométrica ou não, que formam algo figurativo humano, animal ou vegetal.”

São cerca de 20 peças entre esculturas em metal e pinturas sobre tela as quais, como vemos, a artista, contando com a experiente curadoria de Dyógenes Chaves, resolveu distribuir pelo espaço da Galeria Alexandre Filho todo o talento e o encanto que sua obra pode oferecer para a fruição e o deleite do público visitante.

Se mantiver esse ritmo, tenho certeza de que brevemente a obra de Lellys Nóbrega dará mais um salto qualitativo e o sucesso irá levá-la a patamares nunca antes por ela imaginados e com isso lucramos todos nós.

Brindemos pois a essa nova fase que se inicia!

João Pessoa, 23 de maio de 2018.

Apresentação

Por Kubitscheck Pinheiro, Jornalista

G. Lellys é uma artista moderna e vai além das perspectivas. Seu trabalho exige pesquisa por ser complexo e tratar-se do condensado de uma história de vida e de reflexão, uma farmacêutica que se afastou dos “analgésicos”, ao encontrar noções de visões muito diversas, que compõem seu espaço na arte moderna.

Seu trabalho também mexe com a estética, um trabalho livre, que deve ser entendido com acepções diferenciadas: a libertária, que tem envolvimento com a utopia, e sob esse signo da liberdade, sua obra polemiza e vai além.

Tudo vai se definindo a uma substancialidade essencial, nunca como um acontecimento passageiro, mas complexo e imprevisível. O olhar de quem vê sua obra no primeiro ímpeto é de procurar entender como a forma da sua construção pode transmitir diversas interpretações linguísticas.

Uma obra de singularidades, no plural, mesmo, apesar de minimalista. Cada singularidade vai assumindo uma diversidade infinita de imagens que, vão além do brilho do metal cilíndrico de onde nascem ou das peças de chapa de metal.

Outras possibilidades

A ARTE de G. Lellys Nóbrega também é colorida. São telas geométricas que enchem de beleza o branco a ser preenchido. É o seu outro retrato, em acrílico sobre tela. De um

cata-vento aos triângulos, losangos e círculos, que vão chegando ao clímax do que significa as cores em nossa arte. Vivemos assim. Somos assim. Preto no branco quase que permanente e outras vezes, coloridos como o sol.