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13/07/2017

Edital de Ocupação 2017/2018 – Exposição Coletiva 10 – João Vianey, Geostenys Melo e Tom Limongi

A exposição, ‘Coletiva 10’, selecionada pelo Edital de Ocupação 2017/2018, é composta por,  Geóstenys Melo, João Vianey e Ton Limongi.

São 25 obras (pintura, monotipia, desenho e site specific) produzidas entre 2016 e 2017.

A Usina Cultural Energisa, desde sua criação em 2003, tem sido palco de grandes eventos, como o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), Prêmio Energisa de Artes Visuais, entre outros. E a Usina não para. Uma programação mensal com projetos permanentes como Usina da Música, Domingo na Usina, Violadas, e espaços como a Galeria de Arte, Livraria da Usina, Espaço Energia e Café da Usina, atraem diariamente um público interessado em apreciar shows, concertos, exposições, lançamentos de livros, cinema, teatro.

Desde 2016 retomamos a ocupação da galeria de arte da Usina com uma série de exposições, coletivas e individuais, com destaque para a produção local e propondo o reconhecimento desses artistas, notadamente daqueles talentos surgidos no Arte na Empresa, programa de exposições realizado ininterruptamente pela Energisa, na Paraíba, desde 2008, nas cidades de Patos, Campina Grande e João Pessoa.

As exposições desta temporada “local” se estenderão até meados de 2018, sendo a galeria ocupada periodicamente por coletivas e individuais, de artistas convidados ou selecionados pelo Edital de Ocupação Artes Visuais 2017-2018, da Usina Cultural Energisa, numa realização do Ministério da Cultura (Lei Rouanet) com o patrocínio da Energisa Paraíba. Com essa iniciativa, o público tem oportunidade de melhor conhecer a produção dos artistas da nossa terra.

É a Usina Cultural Energisa, que cumpre o seu papel na geração de cultura e arte, fazendo dessa honrosa missão um marco de aproximação entre artistas e público.

Roupa Memória, de Geóstenys Melo

O site specific Roupa Memória é uma “teia” alusiva à memória do local expositivo (o prédio da Usina Cultural Energisa). Trata-se de um apanhado de informações históricas, arquitetônicas e de imagens.

Para a realização da obra, o artista, inicialmente, realizou uma pesquisa com alguns colaboradores (funcionários) da Energisa, sobre a função que cada um ocupa, o tempo de serviço e sobre histórias inusitadas que já presenciaram no trabalho. Na verdade, esse apanhado foi agregado à obra apenas como informação. Uma peça do uniforme de trabalho de cada colaborador entrevistado foi integrada à composição da obra, formando uma grande teia representativa.

Pela ótica da roupa/uniforme, um objeto vestível (que nos protege, que nos adorna, que nos classifica), vê-se a imagem do homem trabalhador, e a roupa nos sugere uma “armadura de guerra” deste personagem que trava uma luta diária em seu trabalho.

Pela ótica da memória, a mesma roupa nos leva a pensar no trabalho braçal de todos os colaboradores que já passaram por aquele prédio em suas diversas atividades – é o trabalho representativo de memória do local incorporado na imagem dos funcionários atuais. É um trabalho simbólico e arraigado de representatividade. Essa grande teia de roupa e memória foi instalada no espaço físico (galeria de arte da Usina Cultural Energisa) partindo do chão e percorrendo paredes e teto.

Currículo do artista

Geósteny Melo nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, em 1976. Vive e trabalha em João Pessoa. Licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Em sua trajetória acadêmica desenvolveu trabalhos artísticos com técnicas e suportes diferentes. Nessa busca, agregou seu trabalho de figurinista às artes visuais e passou a pesquisar a roupa/vestimenta utilizada como suporte por outros artistas, entre estes Laura Lima e Carlos Mélo. O resultado da pesquisa rendeu a dissertação de sua licenciatura Corpo e roupa, suportes para a arte atual. Seu processo criativo (das roupas enquanto figurino) vai desde a criação das peças – do desenho à sua confecção –, corte e costura, à agregação com outros materiais. Geóstenys tem produção expressiva na área da cenografia, do teatro à televisão, destacando-se por alguns trabalhos criados para a TV Tambaú, de João Pessoa. Como arte-educador atuou em diversos projetos sociais e ONGs da cidade. Já expôs individualmente na Galeria Antônio Munhoz Lopes do Sesc Araxá (Amapá), em 2010 (esta mesma exposição percorreu mais 4 municípios do Amapá), e no Salão Paroquial de Alagoa Grande, Paraíba, no projeto Caminhos do Frio 2015.

Impressões, de João Vianey

A intimidade com o conteúdo explorado pelo artista faz com que a verdade salte de suas obras. Desde a beleza exuberante de uma bromélia em meio a mata até um bar de esquina perdido na periferia de Utinga (ABC Paulista). A simplicidade do cotidiano, a cena underground e a cultura popular é o que chama a atenção do artista e nos permite um novo olhar, resgatando memórias e nos conectando a realidade vivenciada mas muitas vezes despercebida.

A monotipia, técnica em destaque nesse projeto, ressalta a poesia de cada tela, onde o preto, sempre presente, tem a função de revelar e não de esconder. A escuridão em meio à vivacidade das cores tem papel fundamental, nos relata o que ali se faz presente e ao mesmo tempo nos dá liberdade para devaneios da nossa própria imaginação. O processo de criação envolve o lado emotivo do artista, resultando em trabalhos que carregam características pessoais, incluindo detalhes e fragmentos de uma realidade vista e interpretada pelo autor.

O projeto destaca duas séries; de um lado, o tema é voltado para a cultura Quilombola e do outro, o artista segue uma linguagem urbana. O diálogo entre ambas as séries acontece por meio dos movimentos, curvas e cores. É possível identificar a fusão dos temas não só pela técnica utilizada, mas pelos limites extrapolados de cada um, onde o urbano e o cultural se entrelaçam formando uma única identidade. Essa mostra tem a intenção de provocar o contentamento, trazer a tona o prazer na apreciação do banal. É a celebração do artista com o público.

Currículo do artista

João Vianey nasceu em Afogados da Ingazeira, Sertão de Pernambuco, em 1951. Vive e trabalha em Cabedelo, Paraíba. Autodidata. Desde muito cedo teve nos desenhos de história em quadrinhos a inspiração que traz consigo até os dias de hoje. Em 1979 começou a trabalhar com pintura e escultura, utilizando tinta a óleo, massa, argila e madeira. E foi pela experimentação desses materiais e técnicas que encontrou seu caminho como artista plástico, e logo obtendo reconhecimento em São Paulo, onde passou a residir desde a infância quando deixou sua terra natal. Recentemente teve a oportunidade de regressar ao Nordeste e conhecer um pouco mais de suas origens, de sua cultura. Dos temas que aborda em sua produção, a natureza é forte referência em algumas de suas obras que retratam a mata e as praias na sua forma mais crua e selvagem. O movimento das águas, as cores, o contraste com o corpo humano, os manguezais e seus caranguejos, as bromélias e raízes, toda essa natureza exuberante presente no litoral, lhe proporcionou infinitas possibilidades e são outra fonte de inspiração. Em suas obras mais recentes a simplicidade do cotidiano, a cena underground e a cultura popular estão em destaque e demonstram a apreciação do artista por assuntos banais e corriqueiros. Nos últimos anos realizou exposições individuais na Estação Cabo Branco (João Pessoa) e no Hall de Exposições da Energisa Paraíba (João Pessoa, Patos e Campina Grande).

Habeas Corpus, por Ton Limongi

Habeas Corpus, que etimologicamente em latim significa Que tenhas o teu corpo, são pinturas de objetos oriundos do universo tecnológico, com partes do corpo humano reveladas como prisioneiras. Fendas abertas ou passagens, conexões com um universo paralelo, são “quimeras” contemporâneas.

Um olhar Pop perpassa a possibilidade de transformar em arte elementos eletrônicos, ainda relacionando com as práticas realizadas anteriormente pelos artistas Pop americanos e ingleses na década de 1960, ao se apropriarem das imagens do mass media como temática para a arte. As obras permeiam o “entre” homem/máquina, o humano personificado pelo olhar da tecnologia, diante da necessidade do consumismo tecnológico que retira a liberdade e nos deixa reféns de um mundo virtual; é preciso medidas que objetivem proteger o direito de livre-arbítrio do indivíduo. As obras são produzidas a partir da observação dos grafismos e componentes eletrônico situados em minha memória afetiva, a linguagem que utilizo nos trabalhos, desde a concepção da ideia inicial até a produção da obra é um questionamento a respeito do desenvolvimento da tecnologia em um espaço de tempo muito curto afetando a relação e o comportamento das pessoas.

O modo de pensar o trabalho revela um posicionamento que está ligado diretamente aos efeitos danosos causados pela tecnologia no cotidiano do ser humano diante do universo do consumismo digital, a retirada do mundo real para um virtual.

Currículo do artista

Ton Limongi (Wellington Limongi de Souza) nasceu em João Pessoa, Paraíba, em 1968, onde vive e trabalha. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB. Sua poética aborda os efeitos causados pelos processos tecnológicos no comportamento do ser humano. Questiona-se a forma imoderada do uso dos aparelhos eletrônicos na vida contemporânea, chegando a desligar nosso olhar do mundo real para um virtual. Entre um mundo de espetáculo e efêmero, somos vítimas do poder da manipulação. Formação: Workshop Técnicas em cerâmica (UFPB, 1992); Curso História da Arte (Rumos Itaú Cultural, 2013); Oficina Hiperespaços Xumucuís PA/PB (Usina Cultural Energisa, 2014). Cursos: Produção de projetos culturais (Cearte, João Pessoa, 2014); Curadoria de exposições (UFPB, 2014); Cinema experimental (UFPB, 2016). Exposições individuais: Realidade paralela (Galeria de Arte do Sesc Paraíba, João Pessoa, 2015); Chromos (Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, 2016). Exposições coletivas: Espaço Cultural Brasilton (São Paulo, 1994); Sussurro dos Rios: Guamá, Jaguaribe (Estação Cabo Branco, João Pessoa, 2014); Salão de Artes Visuais do Sesc Paraíba – Prêmio Aquisição (Sesc João Pessoa, 2014); Art in progress (UFPB, 2014); Confluentes I (Galeria Lavandeira/UFPB, 2015); Salão de Artes Visuais do Sesc Paraíba (Sesc João Pessoa, 2016).