Agenda

18/10/2018

Exposição ‘ABISMOS’ | Galeria Alexandre Filho

Abismos

O termo abismo nos leva a uma leitura simbólica relacionada à profundidade emocional, a distância entre pessoas ou entre ações; ao infinito criador, a uma escuridão incerta ou um mergulho desprendido. Nesta exposição exploramos o abismo em diferentes poéticas. Abismos entre o ser e o mundo inseguro; abismos da noite, do dia nublado ou do entardecer; o abismo da violência ou do desejo; um abismo entre a vida e a morte; entre a luz e a escuridão, entre a cor e a ausência, entre o céu e a terra; o abismo da tecnologia, do abandono, do vício, da justiça e do anonimato. Abismos que falam sobre nós, sobre pensamentos, sobre críticas, caminhos ou contemplação.

Estes abismos estão expressos em vinte séries de fotografias artísticas, realizadas por estudantes e a docente do Curso de Formação Inicial e Continuada-FIC Extensão em Fotografia Artística (segundo módulo) do IFPB – Campus João Pessoa.

O objetivo do Curso de Fotografia Artística do IFPB é explorar a arte através da expressão fotográfica em busca de um olhar diferenciado para o que se vê e se registra, envolvendo os elementos visuais e expressões sensíveis em composições que refletem, emocionam, questionam, intrigam ou inquietam. Assim os estudantes são levados a refletir sobre seu modo particular de produzir arte através desta busca da poética artística que para nós, nesta exposição, representa o abismo que estamos vivendo nesta experiência tão profunda.
Profa. Ma. Idália Lins

Textos sobre as obras e autores

Anonymous – Karla Noronha
“A fotografia de rua tem mostrado diversos abismos individuais que estão conectados numa teia social materialmente visível e afetivamente invisível ao mundo particular de cada pessoa. Nessa busca de registar o humano nas ruas a série é composta de fotos de pessoas desconhecidas e ignoradas por nós diariamente. Uma tentativa de registrar aqueles que compõem a nossa complexa teia social, mas que passam despercebidos pela velocidade do tempo e pelos nossos conceitos pré-concebidos pelas regras sociais”.

Abandono – Rejane Bernardo
“Zygmunt Bauman em sua teoria da modernidade líquida nos diz que nada é feito para durar tudo é efêmero e descartável, assim como as pessoas e todos os seres vivos. O animal doméstico é comumente abandonado tal qual o homem. No hibridismo entre o assunto de minhas retratações e a analogia a água e, por conseguinte a liquidez do mundo contemporâneo estabelece as imagens alegóricas que unem elementos líquidos com as fotografias dos cães abandonados”.

Ascenção Tecnológica – Rose Félix
“Na procura de minha poética estabeleci uma nova relação com minha câmera. No início era evidente a fenda profunda que me separava da nova busca. Reconhecer esse abismo foi também admitir suas formas de ligação, quer seja entre a arte e o humano, ou a máquina e a criatura. Dessa forma, enxergo e tento externar, por meio de minha lente, a união das pessoas com a arte, mediada pela ferramenta fotográfica. O que era abismo agora se tornou união”.

A Natureza e seus Mistérios – Elizabeth Pontes
“A natureza tem sua beleza e seus mistérios que nos envolvem em pensamentos, nos transportando ao infinito. Gera imaginações e sentimentos diversificados, onde a calmaria e paz são misturadas ao medo do desconhecido. Aprecio a natureza e sua riqueza inexplicável ao sentir sua energia em contato com a água, plantas, animais, mar, céu e tudo aquilo que a natureza através de sua magnitude pode transmitir”.

Abismo do Poder – Josilene Carvalho
“Através da arquitetura de prédios públicos, como o Forúm Criminal, represento as relações de abismos no poder, na justiça e nas Leis que permeiam o cotidiano daquele lugar”.

Como Estes Detalhes se Completam – Adriel Trajano
“O que mais te chama atenção em uma pessoa? Os olhos? O nariz? A boca? Quem sabe o pescoço… São esses detalhes que tornam uma pessoa tão diferente da outra fisicamente, e podem até chamar sua atenção. Não as vemos por completo, mas com certeza, imaginamos como esses detalhes se completam”.

Do Desejo – Bruna Dias
“A poesia de Hilda Hilst trouxe o foco para a percepção do erotismo na perspectiva feminina – sempre tão silenciada e oprimida -, mostrando que a mulher também sente, deseja, pulsa, queima. A série traz essa busca de todas por sentir-mo-nos preenchidas dentro de nossos vazios, mas esclarece que apesar desse caminho ser, grande parte dolorosa e solitária, pode nos servir para ver que antes de encontrarmos qualquer tipo de realização na vida do outro, devemos nos enxergar inteiras dentro do nosso próprio espírito e coração”.

Degradação – Vicente Bernardo
“A degradação muitas vezes é potencializada por influência humana, pois o homem até a si degrada”.

Fragilidades – Humberto Bisneto
“Ver a fragilidade da natureza e ao mesmo tempo conseguir enxergar toda sua força. Ver contrastes nas cores e no ambiente é poder exercitar a alma e o olhar, procurando ver aquilo que nem todos observam. Nesta aparente fragilidade sinto segurança e oportunidade de me lançar ao abismo em busca de um novo eu. Cada registro um aprendizado, um novo sentimento, um novo ser. A fotografia é capaz de nos sentirmos humano!”.

Lâmpada para os meus pés – Idália Lins
“Os lugares por onde passamos representam nossas escolhas cheias de sensações, sentimentos, histórias, reflexões e vivências. Nossos pés nos situam neste mundo cheio de incertezas e de abismos. A luz que nos guia é aquela a quem acreditamos e confiamos nos iluminar ao melhor caminho”.

Laminar das Folhas – Rogério Freitas Lira
“Represento as partes laminares das folhas evidenciando seus detalhes, luzes, cores e formas”.

Muros Vazados – Hélder Nóbrega
“As grades de ferro aparecem na vida cotidiana como filtros e molduras que reformulam nossa relação com os espaços, afetos e as formas de sociabilização. As grades de proteção ganham destaque nos cenários urbanos e campesinos, e surgem como abismos que nos separam de uma vida mais fluída e orgânica, sem o pavor de todos os outros atores socias que estejam fora de nossas ‘caixas vazadas’. Mas afinal, o abismo está no mundo físico onde levantamos esses ‘muros vazados’ para nos proteger uns dos outros ou no ideal de praticidade que temos em vivermos isolados?”.

Natureza em Silhueta – Wallison Medeiros
“Na busca pelo encontro da poética fotográfica, percebo o plano fechado como ponto marcante do meu olhar. Trazer nessa exposição o que mais me atrai em fotografar e com a perspectiva que melhor encontrei para trazer esses momentos, posso dizer que foi o lançar-se no abismo da busca por esse encontro”.

Nublado – Thaynara Clementino
“Uma fragmentação da incansável batalha que tenho travado na busca da minha poética artística. Cada foto possui um diferente significado, no entanto, sempre há algo em comum que as compõe e me transmitem algum sentimento. As lembranças que essa série me traz são de um momento nublado de solitude, seguido de uma garoa, no quintal de casa”.

Orquídeas e o Mundo – Ovídio Lima
“A Poética como expressão visual surgiu no meu caminho através da admiração que tenho por Orquídeas, cultivando-as a mais de duas décadas. A beleza efêmera, fugidia que floresce, perfuma, encanta e morre despertou o desejo de imortalizá-las, congelá-las no tempo no auge de sua formosura. O tempo, no entanto, se encarregou de mostrar a vida e a arte oque as imagens das orquídeas podem gerar a partir das técnicas de sobreposição”.

Para Mainha – Geyssi Reis
“Aborda de forma crítica a violência de gênero, o feminicídio que cotidianamente fere, mata, traumatiza e aprisiona mulheres de várias formas. Minha busca pela poética é a de fotografar pessoas, seus sentimentos e seus dilemas existenciais. A foto-performance dramatiza experiências reais/concretas envolvendo portanto escuta e sensibilidade com a pessoa fotografada e eu própria.”

Retratos D’alma – Maura Fernandes
“A alteridade é um conceito chave para a fotografia de retrato que tenho buscado. A interação e a interdependência entre os seres humanos e suas circunstancias tem sido o meu material de trabalho fotográfico. A ressignificação das situações tem permitido registros poéticos, étnico-culturais e representativos do cotidiano”.

Silêncio – Gizelda Lyra
“Para além de cores e formas, a questão simbólica que a luz traz consigo foi o que me motivou a realizar esta série. Elemento retratado não apenas pela religião, mas pelas artes de forma geral, e que tem o poder de provocar emoção, seja através de medos, em virtude de sua ausência, ou qualquer outro sentimento diferente desse, mas tão intenso quanto”.

Silêncio da Noite – Wildelene Cardoso

“A cor da noite e o silêncio das ruas de João Pessoa retratam belezas raras que nem todos podem ver, ouvir ou sentir, pois apenas a sinceridade de um coração nobre submerge ao mais profundo dizer”.

Vida, Morte – Jeruza Farias de Souza
“A vida tem idas, tem vindas, tem sorte, tem morte…
A morte tem idas, sem vindas”.

QUANDO: 18 de outubro, quinta-feira, 19h (abertura)
ABERTA AO PÚBLICO ATÉ: 17 de novembro de 2018
de terça a domingo, das 8h às 11h30, das 14h às 17h

ONDE: Galeria Alexandre Filho, Usina Cultural Energisa (Rua João Bernardo de Albuquerque, 243 – Tambiá – João Pessoa-PB)