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30/09/2016

Ditirambos Tétis/Vicare, mostra individual do artista paraibano Edilson Parra

 

 

O que: Ditirambos Tétis/Vicare, mostra individual do artista paraibano Edilson Parra

Como: 19 obras (instalação, desenho, assemblage, objeto)

Quando: 30 de setembro, sexta-feira, 20h (vernissage)

Até 30 de outubro de 2016, de terça a domingo, das 14h às 20h

Onde: Usina Cultural Energisa (Rua João Bernardo de Albuquerque, 243 – Tambiá – João Pessoa-PB)

Curadoria: Dyógenes Chaves (98808.7877)

Organização: Assessoria de Marketing, Cultura e Comunicação/ Energisa

 

Obs. Artista selecionado no Edital de Ocupação da Usina Cultural Energisa 2016-2017.

 

Contatos:

Edilson Parra

edilsonparra@hotmail.com

(83) 98870.7002

 

 

Texto de abertura

 

A Usina Cultural Energisa, desde sua criação em 2003, tem sido palco de grandes eventos, como o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), Prêmio Energisa de Artes Visuais, entre outros. E a Usina não para. Uma programação mensal com projetos permanentes como Usina da Música, Domingo na Usina, Violadas, e espaços como a Galeria de Arte, Livraria da Usina, Espaço Energia e Café da Usina, atraem diariamente um público interessado em apreciar shows, concertos, exposições, lançamentos de livros, cinema, teatro.

 

Em 2015, retomamos a ocupação da galeria de arte da Usina com uma série de exposições, coletivas e individuais, com destaque para a produção local e propondo o reconhecimento desses artistas, notadamente daqueles talentos surgidos no Arte na Empresa, programa de exposições realizado ininterruptamente pela Energisa, na Paraíba, desde 2008, nas cidades de Patos, Campina Grande e João Pessoa.

 

As exposições desta temporada “local” se estenderão até meados de 2017, sendo a galeria ocupada periodicamente por coletivas e individuais, de artistas selecionados pelo Edital de Ocupação da Usina Cultural Energisa 2016-2017. Com essa iniciativa, o público tem oportunidade de melhor conhecer a produção dos artistas da nossa terra.

 

É a Usina Cultural Energisa, que cumpre o seu papel na geração de cultura e arte, fazendo dessa honrosa missão um marco de aproximação entre artistas e público.

 

 

A exposição

 

Ditirambos Tétis Vicare, mostra individual do artista paraibano Edilson Parra (Sousa, 1968), é composta por um conjunto de objetos e instalações elaborados a partir de utensílios comuns entre passarinheiros, comerciantes e colecionadores de aves, bem como instrumentos rudimentares ou industrializados utilizados por pescadores durante sua rotina de trabalho, e partes de instrumentos musicais. Estes objetos são coletados, respectivamente, em feiras livres clandestinas, inclusive de aves, e em comunidades nativas de pescadores. As obras são compostas por materiais diversos: madeira, metal, pigmentos, papel, cartão Paraná, cera de abelha e outros, permeados pelo trabalho de pesquisa sobre as relações do homem com o meio ambiente, as instituições de controle social e os instrumentos através dos quais o homem exerce domínio sobre as demais espécies, incluindo-se o próprio ente humano.

 

 

Texto de apresentação:

 

Sobre as melodias dos ditirambos, por Ananda Carvalho (Curadora e Crítica de Arte)

 

Ditirambos, na mitologia grega, são cantos de louvor a Dionísio e outros Deuses e temas profanos. Ainda, segundo o dicionário, é uma composição poética literária em que se exalta excessivamente um feito ou uma pessoa. Também é o título do projeto artístico que Edilson Parra vem desenvolvendo nos últimos anos. O artista propõe uma espécie de materialidade filosófica para uma reflexão sobre as interconexões entre homem, natureza e cultura. A maioria dos títulos de seus trabalhos são palavras provenientes da mitologia, remetendo à época em que o homem começou a desenvolver aparatos e utensílios tecnológicos para as suas atividades cotidianas (a caça e a pesca, por exemplo).

 

Em um ativismo poético, as proposições de Edilson procuram dialogar, por meio da sutileza, com as tentativas de domínio da natureza, que também marcam relações de poder. Transpassam as espécies em extinção, os hábitos da caça clandestina (que um dia foi uma ação comum para muitas pessoas) e os resquícios dessas vivências. A partir dessa última perspectiva, muitas vezes a apropriação de materiais emerge como ponto de partida para o trabalho artístico, como casinhas-gaiolas encontradas em locais de apreensões de animais.

 

Entre as armas e armadilhas, o canto dos pássaros ganha visualidade na melancolia metafórica de instrumentos musicais como o violino e o violoncelo. Parte desses instrumentos em conjunto com habitações de pássaros compõem as assemblages/objetos Ode (2013), Ode Melanos I e III (2013). E em Melanos (2016), a escultura de uma ave preta não identificada pousa sobre um violoncelo sem cordas que flutua pelo espaço expositivo.

 

A ambiguidade das metáforas é um procedimento recorrente nos trabalhos de Edilson, que conjugam diferentes interpretações entre os dispositivos de poder e o desejo da liberdade. Em Thánatos (que na mitologia grega é a personificação da morte), não se sabe se a espingarda atirou em aves ou se voam aves de dentro dela. Já na instalação Tártaros (uma prisão entre os mundos na mitologia grega), as redes de pesca e as gaiolas ocupam o espaço ao mesmo tempo em que espumas de formas indefinidas procuram expandir-se e se soltar do que as prendem.

 

Nestas melodias visuais, o artista busca tecer perspectivas e discussões sobre as relações do homem com o meio em que vive. E, assim, sua poética procura convidar também à reflexão sobre os mecanismos de controle e o ecossistema por um viés social.

 

 

O artista

 

Edilson Parra nasceu em Sousa/PB, vive e trabalha em João Pessoa desde 1999. Graduado em Filosofia/UFPB, desenvolve pesquisas sobre o modo como o ente humano relaciona-se com o meio ambiente, com ênfase para as instituições de controle social, o uso de armas e armadilhas para exercer domínio sobre as demais espécies, inclusive sobre o próprio homem. Sua pesquisa situa-se no contexto do projeto denominado Ditirambos, que estrutura-se em quatro vertentes: Ditirambos Vicare (Aves), Ditirambos Mamalis (Mamíferos), Ditirambos Tétis (Animais aquáticos e peixes ou Rios e Mares) e Ditirambos Sapiens. Exposições Individuais: 2016 Tártaros/Vicare – Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa/PB; 2015 Ditirambos Tétis/Vicare – Galeria Newton Navarro – Capitania das Artes – Natal/RN; 2013 Ditirambos – Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa/PB; 1994 Deserção do Pensamento – Museu de Artes Assis Chateaubriand – Campina Grande/PB. Principais Exposições Coletivas: 2015 Confluentes – Galeria Lavandeira – Universidade Federal da Paraíba – João Pessoa/PB; 2014 Intercâmbio Sussurro dos Rios – Pará/Paraíba, Vivência artística/exposição – Belém/PA, Intercâmbio Sussurro dos Rios – Pará/Paraíba, Vivência artística/exposição – João Pessoa/PB; 2013 Galeria Rede Arte Contemporânea – João Pessoa/PB, Le Hors-Là (20 anos de intercâmbio BRASIL-FRANÇA) Estação das Artes – João Pessoa/PB, Le Hors-Là (20 anos de intercâmbio BRASIL-FRANÇA) Usina Cultural Energisa – João Pessoa/PB; 2012 SAMAP – Salão Municipal de Artes Plásticas, Estação das Artes – João Pessoa/PB, 2011 Até Meio Quilo – Salvador/Bahia; 1999 Workshop de Escultura em Pedra – Intercâmbio Brasil/Alemanha – João Pessoa/PB; 1998 Esculturas em Grandes Formatos – Copa da França – Marselha/França; 1997 Projeto Le Monde est un Ballon, intercâmbio França/Brasil/Argélia; 1996 Workshop O outro lado da Terra – Brasil /Alemanha, CAVT – João Pessoa/PB;  1995 Workshop Visões da Borborema – Museu de Artes A. Chateaubriand – Campina Grande/PB; 1994 Projeto Cumplicidades – Cidade do Porto/Portugal. Prêmios: 2015 Edital Galerias da Funcarte – Natal/RN; 2013 Edital Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa/PB; 1996 Prêmio Archidy Picado – Festival Nacional de Artes – João Pessoa/PB; Menção Honrosa – Salão Municipal de Artes Plásticas – João Pessoa/PB. Outros: 2015 Selecionado pelo Projeto Sesc Confluências/Artes Visuais – João Pessoa/PB.